Alardeada
"E neste barquinho um pouco gasto, velejo, velejo, vicejo. Assim, caso haja nuvens no céu, mergulho e tomo chuva de mar. - Ana Laura F."
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Filosofia de Calçada
Codinome Paradoxo
Alardeios

29/05/2012 @ 13:36
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E sua metamorfose se completava toda vez que de suas partes mornas nasciam preces.
— Ana Laura F.

27/05/2012 @ 19:20
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E num pedacinho em mim, te sento e lhe encaro. Vicejo-te, junto as minhas forças, as alegrias que tu me arrancas com facilidade. Feito granadas que se lançam em solo árduo, explodem-se olhares que sorrirem. Fico quieta, estupefata, feliz. Sinto como se aqueles brotos meio murchos finalmente florescessem, preenchendo átrios. Enverdejo, atraio os Colibris. Lindos, leves, puros, feitos de flor ao meu ver. Flores que embelezam o meu céu.
— Ana Laura F. , ‘Verde-grama, Colibri’

26/05/2012 @ 13:02
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Te construo, te deleito, te anoiteço, te encovardo. Te suborno, te engrandeço, te almejo, te refaço. Quero a beleza dos olhos nus, da vida que abraça, que canta e também corta. Quero o recitar da poesia empoeirada, menos felicidade burguesa, o bote do leão. O dia que passa utópico, lavado pelos dentes que rangem risadas e entristecem a lua, que apenas embeleza o seu fim calada. A noite que vira claro, as estrelas que somem e mergulham no azul manchado por nuvens, o sujeito debaixo da marquise do hotel luxuoso, acordando entorpecido com o que a garrafa escondia e que agora entranha em si. Troco passos, olhares, e pensamentos engulo. E no fundo, te guardo, te encaro, te sussurro. E me construo, me deleito, me entorpeço, queirosa.
— Ana Laura F.

20/05/2012 @ 9:49
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Diante dos homens que se negam, não existe imensidão.
— Ana Laura F.

20/05/2012 @ 9:12
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E para a falta de esperança, amor. Muito amor. Amor florido, grandioso, estupefato. Tão cheio de alegrias que mal lhe caiba. E para a falta de vida, vida. Que o hoje seja o ontem do amanhã, e que seja lembrado com carinho. Com o amor que a falta de esperança lhe plantou, com a suavidade de um tchau que não foi adeus, com toda a harmonia dos olhos que sorriem.
— Ana Laura F., “Na falta de, amor.”

15/05/2012 @ 20:36
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A caça do lobo, impertinente, ousada, sem o poder de se esconder. Mas escondia-se, ludibriada pelo canto da coruja no alto da árvore despida. Não lhe dava as boas vindas, denunciava teu esconderijo, querendo ver tua carne cheirando à álcool, escoando gotas de rubi. Corria para não expor sua fragilidade inventada, encarceirada em galhos de ossos. Ossos pardos, envelhecidos em um esqueleto jovem. O lobo à espreita, uivava insano, revivendo a sua fome, a escassez, o vazio que pesava. O lobo de dentro, boêmio, desvirtuado, percorria a sua presa com olhos de tirano. E para esta, sem esconderijo algum, arrastaram-lhe devaneios.
— Ana Laura F.

15/05/2012 @ 9:31
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E neste encaixe de vidas, de virtudes, poltronas vazias e estantes cheias, adivinha doutor, não saiu ar algum de sofreguidão. Brotaram e sobraram-me cores quentes. De um aperto em outro, aprendi que vazios não se somam, eles se engolem. E de repente, o que me sobrou era completo.
— Ana Laura F.

12/05/2012 @ 18:50
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Você, baby, sempre soube que eu era um pouco trash. Meio mofada, ardida, e mesmo assim veio com essa de me amar. Não é Victor, que tu me disse uma vez que parecia, que o que ia do limite do céu - inexistente por sinal - ao limite do teu âmago, tudo floria ao meu ver? Sou mesmo encantada, uma poesia clichê que sempre tenta enxergar a porcaria do lado bom. Diz você que do barulho irritante de um livro caindo no chão, eu extraio melodia. Diz ainda que gargalha por dentro quando digo ‘pois é, essa história aí é das pesadas’, enquanto por fora bate a mão na testa com cara de ‘poxa vida’. Poxa Victor, poxa digo eu. Eu sou meio trash, disso sei, mas não sou de toda boba. Já mostrei umas facetas para ti de como guiar a vida com maturidade. Tenho juízo Victor, mas não perco a destreza. E se não lhe basto, não sinto muito. Não tenho limites para quem se perde em puro moralismo. Gosto de quem sonha, de quem paga para ver, de quem não bota barreira em sentimento. Talvez seja um erro, mas é tão meu que se por isso eu não errasse, talvez perdesse a minha identidade. E para essa, meu caro, não há segunda via.
Da minha total cara de pau, Olívia.
— Ana Laura F.

12/05/2012 @ 18:25
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Olhei demais para o poço, me inclinei e o inevitável aconteceu. Não caí, não fui jogada. Apenas vi o meu reflexo na poça de água que forrava seu fundo, me vi ali me encarando de volta. Um presságio. Algo avisando que às vezes pode ser bom se enganar com pensamentos mais amenos, pois a realidade talvez deva ser dosada. Tarja preta. Caçava verdades, nos cantos, nas entranhas, sem perceber que o poço era redondo. Nada se esconderia ali, não haviam esquinas escuras. Tudo era abocanhado e jogado para dentro, sem escrúpulos, apenas um monte de dúvidas empilhadas. Já não era poça forrando o fundo, mas uns dois palmos a mais de água. E uma hora transborda, pensei. Dei as costas e me esvaí, fui olhar para o alto, de onde alguém piscou para mim. Mil olhares piscaram, e com eles, a lua. De repente, milhões.
— Ana Laura F.

12/05/2012 @ 18:12
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A gente vai se perdendo, cheios de alentos mas em coisas tão pequenas… A gente se esvai, racha e vaza, pingando uns triunfos, uns sentimentos, umas escolhas, ou a falta e excesso delas… pingando, you know. Me peguei com uma goteira no âmago, Serafim. Debulhei. A gente fervilha vez em quando, sabe como é. Com mil razões, veja bem, com mil razões e eu quietinha, sem querer saber de nada. Tem dias em que simplesmente não dá, e não estou triste Serafim. Sério, não estou. Feito um bule que arde no fogo sem ter o que aquecer, deito e esqueço. A água não ferve, assim como eu.
— Ana Laura F.